Challenge Test

De acordo com o teste de Ensaio de Eficácia da Conservação da ISO 11930 (2012), também conhecido como "Challenge Test" (Teste de Desafio), trata-se de um procedimento desenvolvido especialmente para avaliar a proteção antimicrobiana de um produto cosmético.
Porque é que o Challenge Test é tão importante para os cosméticos?
Na indústria cosmética, todos os fabricantes devem assegurar que os seus produtos estão isentos de microrganismos (específicos) que possam afetar a sua própria qualidade ou mesmo a saúde do consumidor. Além disso, deve garantir-se que qualquer microrganismo introduzido no cosmético não afetará a sua qualidade e, essencialmente, a sua segurança. Os conservantes antimicrobianos são ingredientes adicionados às formulações cosméticas para proteção contra microrganismos que possam contaminar o produto durante a sua produção e/ou utilização normal. No entanto, será isso suficiente? Para responder a esta questão, o Challenge Test surge como o principal protocolo. Ao avaliar a eficácia do sistema conservante e a sua capacidade de resistir a alguns tipos de contaminação, o Challenge Test oferece uma garantia de segurança e eficácia a um produto durante o seu tempo de prateleira.
Como é realizado o Challenge Test?
O método de desafio baseia-se na inoculação de uma formulação com uma concentração conhecida de cinco estirpes relevantes de microrganismos; Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Candida albicans e Aspergillus brasiliensis. Ao mesmo tempo, deve ser verificada e demonstrada a neutralização da eventual atividade antimicrobiana da(s) formulação(ões).
Eficácia do neutralizador:
Nesta fase, na presença de cada microrganismo (sem a sua inibição), verifica-se a capacidade do neutralizador para neutralizar a atividade antimicrobiana da formulação. Uma suspensão calibrada é inoculada no neutralizador com e sem a(s) formulação(ões) em estudo e as diferentes contagens são comparadas. Se os resultados obtidos não cumprirem os requisitos, devem ser efetuados testes adicionais (como, por exemplo, a seleção de um neutralizador diferente ou uma diluição adicional da amostra). Se os resultados continuarem a não cumprir, a formulação não é suscetível de contaminação pela estirpe em causa e o resultado deve ser "Não suscetível de contaminação".
Eficácia de conservação da formulação:
A avaliação da eficácia da conservação baseia-se na inoculação da formulação cosmética com um inóculo calibrado previamente preparado a partir de cada uma das cinco estirpes de microrganismos. Os microrganismos sobreviventes são contados em intervalos definidos durante um período de 28 dias, especificamente após 7 (T7), 14 (T14) e 28 (T28) dias. Com os resultados obtidos, determina-se o número de microrganismos presentes no T0 e o número de sobreviventes nos restantes tempos. Por fim, para cada tempo e estirpe, deve ser calculada a redução logarítmica e comparada com os valores exigidos para os critérios de avaliação.
Resultados - Compreender os critérios de aceitação
Como mencionado anteriormente, para cada tempo (T0, T7, T14 e T28) e cada estirpe, é determinado o número de microrganismos sobreviventes e calculada a redução logarítmica. Deve ser considerada a variabilidade inerente às contagens microbianas utilizadas para calcular os valores de redução. Por conseguinte, é aceitável um desvio de 0,5 unidades logarítmicas no presente método. Em seguida, para cada tempo específico, os valores obtidos são comparados com os critérios de aceitação exigidos pelo método para uma preservação aceitável. No Challenge Test estão disponíveis dois níveis diferentes de critérios de aceitabilidade, que representam a capacidade de proteção da formulação cosmética.
Critério A:
- Para as bactérias (S. aureus, E. coli, P. aeruginosa), no T7, deve haver pelo menos uma redução de 3 log em relação à contagem inicial e, a partir deste momento, não deve haver aumento na contagem em relação ao tempo de contacto anterior (no T14 e T28).
- Para a C. albicans, no T7, deve haver pelo menos uma redução de 1 log em relação à contagem inicial e, a partir deste momento, não deve haver aumento na contagem em relação ao tempo de contacto anterior (no T14 e T28).
- Para a A. brasiliensis não deve haver aumento em relação à contagem inicial, no T14, e uma redução não inferior a 1 log no T28.
Com este critério, a formulação fica protegida contra a proliferação microbiana que possa apresentar um risco potencial para a sua utilização, cumprindo os requisitos da ISO. Não é necessário considerar fatores adicionais.
Critério B:
- Para as bactérias, no T14, deve haver pelo menos uma redução de 3 log em relação à contagem inicial e, no T28, não deve haver aumento na população microbiana.
- Para a C. albicans, no T14, deve haver pelo menos uma redução de 1 log em relação à contagem inicial e, no T28, não deve haver aumento na população microbiana.
- Para a A. brasiliensis, no T14 e também no T28, não deve haver aumento em relação à contagem inicial.
Com este critério, o nível de proteção é aceitável. No entanto, a análise de risco deve demonstrar a presença de fatores de controlo (não relacionados com a própria formulação) que indiquem que o risco microbiológico é tolerável. Por exemplo, o design da embalagem desempenha um papel importante na avaliação do risco microbiológico e podem ser considerados (e ajustados) diferentes fatores, tais como a configuração da embalagem, o seu tamanho e a quantidade utilizada por aplicação.
Se os valores obtidos não cumprirem o critério A ou B, a formulação em estudo não satisfaz os requisitos do Challenge Test. No entanto, a avaliação global da proteção antimicrobiana de um cosmético tem em conta o Challenge Test combinado com a avaliação do risco microbiológico. Por conseguinte, na presença destes resultados, o estatuto do produto deve ser avaliado unicamente de acordo com esta última. Parâmetros como as características e composição da formulação, as condições de produção, as características da embalagem, as recomendações específicas de utilização e a zona de aplicação desempenham um papel importante nesta avaliação. Assim, se a análise de risco demonstrar a existência de fatores de controlo reforçados, o produto cosmético continua a cumprir os requisitos da ISO.